Hoje eu assisti, impotente, a casa dos meus vizinhos da frente ser destruída. A cada golpe, a cada estalo da madeira quebrando, parecia que um pedaço da minha própria história estava sendo arrancado de dentro de mim.
Era uma casa simples, de madeira, pequena… mas tão cheia de vida.
Tão cheia de memórias que só eu sei o peso que têm.
Ali eu cresci.
Ali eu sonhei.
Ali vivi pedaços da minha infância, da minha adolescência, da minha juventude.
Era um lugar onde as risadas faziam eco, onde o tempo parecia andar mais devagar, onde tudo era tão diferente do que é hoje.
E agora, tudo aquilo virou pó.
Tudo… como se nunca tivesse existido.
A senhora da casa já se foi, descansando depois de sua jornada. O terreno ficou com a nora e com os netos. Depois de anos de sofrimento — incluindo dois AVCs da mãe — eles resolveram vender o terreno por 700 mil reais.
A construção civil não espera.
A construtora chegou com máquinas enormes, frias, indiferentes à história, aos afetos, às lembranças que moravam ali.
Em breve, onde antes havia vida, vão levantar apartamentos ou sobrados de mais de um milhão. Paredes cinzas, frias, impessoais, sem alma alguma.
A cidade, cada vez mais cinza, vai perdendo as árvores, os pássaros, o verde… virando uma pequena São Paulo. Um lugar onde a natureza desaparece, onde a memória é destruída em troca de lucro, onde o passado não tem valor.
E enquanto tudo ao meu redor muda, se transforma, cresce, some… eu me sinto cada vez mais parada no tempo.
Hoje, vendo aquela casa cair, eu senti um vazio dentro de mim.
Um vazio igual ao buraco que ficou no terreno.
E então a dor veio.
Veio forte.
Veio funda.
Porque eu olho para a minha vida e sinto que, de alguma forma, eu não avancei.
Que fiquei presa lá atrás, nos sonhos que não realizei.
Eu não me formei em Medicina, como sempre imaginei.
Não fui morar fora do país.
Não construí a minha casa.
Não vivi todos aqueles planos que um dia eu acreditei que viveria.
Aos 42 anos, continuo morando na mesma casa da minha infância, dividindo aluguel com meu marido, com minha mãe junto, sem ter conquistado o que eu tanto sonhei.
E isso dói.
Dói demais.
Dói olhar para trás e ver tudo o que eu poderia ter sido.
Dói olhar para a frente e sentir medo.
Dói perceber que aquela menina cheia de esperança se transformou numa mulher cansada, apertada pelas contas, pela falta de oportunidades, pela vida que não aconteceu como eu desejei.
Hoje eu me sinto estagnada.
Enquanto tudo muda — às vezes rápido demais — eu fico aqui… parada, tentando entender onde foi que eu me perdi.
Aquela demolição não levou só uma casa: levou um pedaço da minha alma, do meu passado, da minha história.
E o pior é essa sensação de que o passado está indo embora… enquanto o futuro que eu imaginei nunca chegou.
Hoje, meu coração está triste.
Triste de um jeito que aperta, que sufoca, que queima.
Uma angústia profunda, que não cabe no peito, que não cabe em palavras, que só quem sente consegue entender.
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