sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Hoje o passado foi ao chão, diante dos meus olhos....Hoje algo dentro de mim também foi demolido.

 


Hoje eu assisti, impotente, a casa dos meus vizinhos da frente ser destruída. A cada golpe, a cada estalo da madeira quebrando, parecia que um pedaço da minha própria história estava sendo arrancado de dentro de mim.
Era uma casa simples, de madeira, pequena… mas tão cheia de vida.
Tão cheia de memórias que só eu sei o peso que têm.

Ali eu cresci.
Ali eu sonhei.
Ali vivi pedaços da minha infância, da minha adolescência, da minha juventude.
Era um lugar onde as risadas faziam eco, onde o tempo parecia andar mais devagar, onde tudo era tão diferente do que é hoje.
E agora, tudo aquilo virou pó.
Tudo… como se nunca tivesse existido.

A senhora da casa já se foi, descansando depois de sua jornada. O terreno ficou com a nora e com os netos. Depois de anos de sofrimento — incluindo dois AVCs da mãe — eles resolveram vender o terreno por 700 mil reais.
A construção civil não espera.
A construtora chegou com máquinas enormes, frias, indiferentes à história, aos afetos, às lembranças que moravam ali.

Em breve, onde antes havia vida, vão levantar apartamentos ou sobrados de mais de um milhão. Paredes cinzas, frias, impessoais, sem alma alguma.
A cidade, cada vez mais cinza, vai perdendo as árvores, os pássaros, o verde… virando uma pequena São Paulo. Um lugar onde a natureza desaparece, onde a memória é destruída em troca de lucro, onde o passado não tem valor.

E enquanto tudo ao meu redor muda, se transforma, cresce, some… eu me sinto cada vez mais parada no tempo.

Hoje, vendo aquela casa cair, eu senti um vazio dentro de mim.
Um vazio igual ao buraco que ficou no terreno.

E então a dor veio.
Veio forte.
Veio funda.

Porque eu olho para a minha vida e sinto que, de alguma forma, eu não avancei.
Que fiquei presa lá atrás, nos sonhos que não realizei.

Eu não me formei em Medicina, como sempre imaginei.
Não fui morar fora do país.
Não construí a minha casa.
Não vivi todos aqueles planos que um dia eu acreditei que viveria.
Aos 42 anos, continuo morando na mesma casa da minha infância, dividindo aluguel com meu marido, com minha mãe junto, sem ter conquistado o que eu tanto sonhei.
E isso dói.
Dói demais.

Dói olhar para trás e ver tudo o que eu poderia ter sido.
Dói olhar para a frente e sentir medo.
Dói perceber que aquela menina cheia de esperança se transformou numa mulher cansada, apertada pelas contas, pela falta de oportunidades, pela vida que não aconteceu como eu desejei.

Hoje eu me sinto estagnada.
Enquanto tudo muda — às vezes rápido demais — eu fico aqui… parada, tentando entender onde foi que eu me perdi.

Aquela demolição não levou só uma casa: levou um pedaço da minha alma, do meu passado, da minha história.
E o pior é essa sensação de que o passado está indo embora… enquanto o futuro que eu imaginei nunca chegou.

Hoje, meu coração está triste.
Triste de um jeito que aperta, que sufoca, que queima.
Uma angústia profunda, que não cabe no peito, que não cabe em palavras, que só quem sente consegue entender.


Hashtags:
#DorProfunda #NostalgiaQueDói #MemóriasDemolidas #MinhaInfânciaVirouPó #DesabafoDaAlma #TristezaSemFim #CoraçãoEmRuínas #Angústia #VidaQuePesou #SaudadeDoQueNãoVolta #DiasCinzentos #MudançasQueMachucam #PerdasSilenciosas #CrescerÉDoer #MinhaHistóriaDesabou #TudoMudaMenosEu #DorQueAperta #SentimentosVivos #DóiDemais

domingo, 23 de junho de 2024

Reflexões sobre Felicidade e Dificuldades Financeiras

 Frequentemente, ao observar outras pessoas, me pergunto: será que elas são mais felizes do que eu? Minha vida parece tão complicada, especialmente no aspecto financeiro. Tenho o nome sujo, não consigo um emprego decente, não alcanço sucesso e não posso trabalhar na minha área porque devo ao meu conselho profissional. Além disso, meu nome está na justiça devido a dívidas que meu pai não pagou. Sinto que minha vida está estagnada.

Gostaria de poder frequentar a academia, viajar, morar onde eu quisesse, ter minha casa própria, sair e fazer compras... mas tudo isso parece tão distante e difícil para mim. Curiosamente, quando consegui meu primeiro emprego, que era meu sonho, numa universidade como assistente de operações acadêmicas, após um ano e alguns meses como estagiária, tudo desmoronou. As pessoas ao meu redor pareciam não gostar de mim e fizeram de tudo para que eu não continuasse na função. Espalharam fofocas, me humilharam, mesmo sabendo que eu tinha um laudo que confirmava meu diagnóstico de autismo.

Eu estava feliz por ter sido efetivada, mas a maldade de chefes e colegas me deixou muito mal e doente. Tive que pedir demissão para cuidar da minha saúde mental e física, pois a situação me prejudicou demais. Não queriam me ensinar e, se eu cometia erros, ao invés de falar comigo, mandavam e-mails para o diretor destacando minhas falhas. Fui isolada por eles.

Minha alegria e brilho começaram a desaparecer. Eu queria ter dinheiro, mas o único emprego decente com um salário razoável acabou me fazendo mal, e tive que sair. Agora estou num estágio que paga pouco e não oferece futuro, servindo apenas para manter meus estudos e pagar algumas contas.

A minha vida parece uma constante batalha, onde quando as coisas começam a melhorar, algo acontece para destruir meus sonhos. Nada do que sonhei se concretizou até agora. Sinto-me profundamente frustrada com a vida.

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Desabafo.... A Realidade que Muitos Não Entendem

É muito fácil para as pessoas dizerem "veja a luz no fim do túnel", mas não são elas que têm grandes dívidas na justiça e estão desempregadas. Pior ainda, essas dívidas foram feitas pelos seus pais em seu nome quando você completou 18 anos.

É muito fácil para as pessoas dizerem que entendem sua dor, mas não são elas que estão passando por um momento difícil e de extrema dor.

É muito fácil para as pessoas dizerem "respeite seus pais, irmãos, sogra e cunhado", mas não são elas que vivem numa relação tóxica familiar.

É muito fácil para as pessoas zombarem de você sem saber o quanto isso machuca, traz sofrimento e depressão.

É muito fácil para as pessoas fazerem críticas a você, mas não críticas construtivas; sim, críticas que te destroem e te colocam para baixo.

É muito fácil para as pessoas te julgarem como uma pessoa fracassada, preguiçosa e vagabunda que não quer trabalhar sem conhecer sua história – uma história que machuca.

É muito fácil para as pessoas falarem sobre postura para você enquanto elas têm pasta de dente, comida na mesa, roupas boas e novas.

É muito fácil para as pessoas humilharem aquelas que estão acabadas financeiramente e emocionalmente.

É muito fácil...


Hoje o passado foi ao chão, diante dos meus olhos....Hoje algo dentro de mim também foi demolido.

  Hoje eu assisti, impotente, a casa dos meus vizinhos da frente ser destruída. A cada golpe, a cada estalo da madeira quebrando, parecia qu...